Aneurisma Cerebral: 7 Sinais de Alerta, Causas e Tratamento

O aneurisma cerebral é uma dilatação na parede de uma artéria do cérebro que costuma ser silenciosa até romper. Conheça os 7 sinais de alerta, os fatores de risco, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento.
Aneurisma Cerebral: 7 Sinais de Alerta, Causas e Tratamento

O aneurisma cerebral é uma dilatação anormal na parede de uma artéria do cérebro que, na maior parte dos casos, não provoca nenhum sintoma até o momento em que se rompe. Estima-se que cerca de 2% a 3% dos adultos convivam com um aneurisma sem saber. A boa notícia é que a maioria nunca sangra; a má notícia é que, quando o rompimento acontece, ele é uma emergência médica grave. Reconhecer os sinais de alerta e saber quem tem risco aumentado faz diferença real no desfecho.

O que é um aneurisma cerebral

As artérias do cérebro têm três camadas de parede. Quando existe uma fragilidade nessa parede, a pressão do sangue empurra o ponto mais frágil para fora e forma uma bolsa, semelhante a uma bexiga mal cheia. Essa bolsa é o aneurisma cerebral.

A maioria surge nas bifurcações das artérias da base do crânio, região onde o fluxo sanguíneo faz mais turbulência. O formato mais comum é o sacular, popularmente chamado de aneurisma “em fruto de baga”. Existem também os fusiformes, em que toda a circunferência do vaso se dilata, e os micóticos, ligados a infecções.

No aneurisma cerebral, o tamanho importa. Aneurismas menores que 5 milímetros costumam ter risco anual de sangramento muito baixo, enquanto os maiores que 10 milímetros, os de localização posterior e os que crescem no acompanhamento merecem discussão mais cuidadosa sobre tratamento.

7 sinais de alerta de aneurisma cerebral

O aneurisma cerebral pequeno e íntegro geralmente é silencioso. Quando o aneurisma cresce, comprime estruturas vizinhas ou sangra, o corpo emite avisos que não devem ser ignorados:

  • Dor de cabeça súbita e explosiva, descrita como a pior da vida, que atinge intensidade máxima em segundos;
  • Cefaleia sentinela: dor de cabeça forte e diferente do habitual, que aparece dias ou semanas antes de um sangramento maior;
  • Queda da pálpebra e pupila dilatada em apenas um dos olhos, sinal clássico de compressão do terceiro nervo craniano;
  • Visão dupla ou perda de parte do campo visual, com dificuldade para enxergar de um lado;
  • Dor persistente atrás de um dos olhos, localizada e diferente das dores de cabeça anteriores;
  • Rigidez de nuca com náuseas, vômitos e intolerância à luz, indicando irritação das meninges por sangue;
  • Perda súbita de consciência, crise convulsiva ou déficit neurológico, como fraqueza de um lado do corpo ou dificuldade para falar.

Qualquer dor de cabeça de início explosivo deve ser avaliada em pronto-socorro no mesmo dia, mesmo que melhore sozinha. Esse padrão é o que a neurologia chama de cefaleia em trovão e exige investigação de urgência.

Causas e fatores de risco

Não existe uma causa única para o aneurisma cerebral. Ele resulta da combinação entre predisposição da parede arterial e fatores que agridem o vaso ao longo dos anos. Os principais fatores de risco são:

  • Tabagismo, que é o fator modificável mais fortemente associado;
  • Pressão alta mal controlada;
  • História familiar de aneurisma ou de hemorragia cerebral em parentes de primeiro grau;
  • Idade acima de 40 anos, com pico entre 40 e 60 anos;
  • Sexo feminino, sobretudo após a menopausa;
  • Doença renal policística e doenças do tecido conjuntivo, como a síndrome de Ehlers-Danlos vascular;
  • Consumo excessivo de álcool e uso de cocaína ou estimulantes.

Quando duas ou mais pessoas da mesma família de primeiro grau já tiveram aneurisma, a investigação por imagem dos demais parentes costuma ser recomendada, conforme orientação do National Institute of Neurological Disorders and Stroke.

Aneurisma roto e hemorragia subaracnóidea

Quando o aneurisma se rompe, o sangue invade o espaço subaracnóideo, entre o cérebro e as membranas que o revestem. É a hemorragia subaracnóidea, quadro que responde por uma parcela pequena dos casos de acidente vascular cerebral, mas com alta gravidade.

O paciente costuma descrever o momento exato em que a dor começou, algo raro em outras dores de cabeça. Podem surgir vômitos, confusão, rigidez de nuca e rebaixamento do nível de consciência. As primeiras horas são decisivas, porque o risco de novo sangramento é maior nesse período e o tratamento precoce reduz mortalidade.

Como é feito o diagnóstico

Na suspeita de sangramento, o primeiro exame é a tomografia de crânio sem contraste, que identifica a maior parte das hemorragias nas primeiras horas. Se a tomografia for normal e a suspeita permanecer, pode ser feita punção lombar para procurar sangue no líquor.

Para localizar o aneurisma, usam-se a angiotomografia e a angiorressonância. A arteriografia cerebral digital continua sendo o exame mais detalhado e é indispensável no planejamento do tratamento, porque mostra o colo do aneurisma, o tamanho exato e a relação com os vasos vizinhos.

Muitos aneurismas são descobertos por acaso em exames pedidos por outro motivo, como enxaqueca ou tontura. Nesse cenário, a conduta é individualizada e nem sempre envolve cirurgia.

Tratamento do aneurisma cerebral

Existem três caminhos possíveis, definidos caso a caso pela equipe de neurologia e neurocirurgia:

  • Acompanhamento com imagem: indicado em aneurismas pequenos, estáveis e assintomáticos, com controle rigoroso de pressão e suspensão do cigarro;
  • Tratamento endovascular: por meio de um cateter que entra pela artéria femoral ou radial, o aneurisma é preenchido com molas de platina ou excluído com um stent desviador de fluxo;
  • Microcirurgia com clipagem: o neurocirurgião coloca um clipe metálico no colo do aneurisma, isolando-o da circulação.

A escolha do tratamento do aneurisma cerebral depende da idade, do estado clínico, da localização e do formato do aneurisma. Após o tratamento, o acompanhamento por imagem segue por anos, já que novos aneurismas podem se formar.

É possível prevenir

Não é possível impedir a formação de todo aneurisma cerebral, mas é possível reduzir de forma expressiva o risco de rompimento. Parar de fumar é a medida isolada mais eficaz. Manter a pressão arterial dentro da meta, tratar o colesterol, evitar excesso de álcool, não usar estimulantes e praticar atividade física regular completam o cuidado.

Quem já tem um aneurisma conhecido deve evitar esforços de grande intensidade sem liberação médica e manter o acompanhamento nos intervalos combinados.

Quando procurar um neurologista

O aneurisma cerebral roto é uma emergência: procure atendimento imediato diante de dor de cabeça explosiva, perda de consciência, alteração da fala ou da força. Já a consulta ambulatorial com neurologista está indicada para quem tem história familiar de aneurisma, recebeu um achado incidental em exame de imagem, apresenta dor atrás do olho com queda de pálpebra ou convive com dores de cabeça que mudaram de padrão.

Perguntas frequentes sobre aneurisma cerebral

Todo aneurisma cerebral precisa de cirurgia?

Não. Muitos aneurismas pequenos e estáveis são apenas acompanhados com exames periódicos e controle rigoroso dos fatores de risco. A decisão leva em conta tamanho, formato, localização, idade e histórico familiar.

Aneurisma cerebral é hereditário?

Existe componente familiar. Ter dois ou mais parentes de primeiro grau com aneurisma aumenta o risco e costuma justificar rastreamento por angiotomografia ou angiorressonância.

Dor de cabeça frequente significa que tenho um aneurisma?

Na grande maioria das vezes, não. Dores de cabeça recorrentes costumam ter outras causas, como enxaqueca e cefaleia tensional. O que preocupa é a dor de início súbito e explosivo ou a mudança clara de padrão.

Quem tem aneurisma pode praticar exercícios?

Atividade física leve a moderada costuma ser liberada e ajuda no controle da pressão. Esforços máximos, levantamento de cargas muito pesadas e manobras que elevam bruscamente a pressão precisam de avaliação individual.

Se você tem história familiar, recebeu o diagnóstico de aneurisma cerebral em um exame ou percebeu mudança no padrão das suas dores de cabeça, agende uma avaliação neurológica para definir o acompanhamento adequado ao seu caso.