A epilepsia é uma das condições neurológicas mais comuns do mundo, afetando mais de 70 milhões de pessoas globalmente. No Brasil, estima-se que cerca de 3 milhões de pessoas convivam com a epilepsia, e a maioria consegue controlar as crises adequadamente com tratamento adequado. Apesar disso, a doença ainda carrega muito estigma e desinformação. Neste artigo, a Dra. Carolina Alvarez, neurologista, explica o que é a epilepsia, quais são os principais tipos de crise epiléptica, como o diagnóstico é realizado e quais são as opções de tratamento disponíveis.
O que é Epilepsia?
A epilepsia é uma condição neurológica crônica caracterizada pela predisposição a crises epilépticas recorrentes. Uma crise epiléptica ocorre quando há uma descarga elétrica anormal e excessiva em um grupo de neurônios do cérebro, alterando temporariamente o comportamento, os movimentos, as emoções ou a consciência do indivíduo. Para que o diagnóstico de epilepsia seja estabelecido, são necessárias pelo menos duas crises não provocadas com mais de 24 horas de intervalo, ou uma única crise com risco elevado de recorrência.
A epilepsia pode ter diversas causas, incluindo fatores genéticos, lesões cerebrais por trauma, tumor, AVC, infecções do sistema nervoso central ou alterações estruturais do desenvolvimento cerebral. Em muitos casos, especialmente em crianças, não é possível identificar uma causa específica.
Quais São os Tipos de Crises Epilépticas?
As crises epilépticas são classificadas com base em como e onde se originam no cérebro. Os principais tipos incluem:
Crises focais (parciais): originam-se em uma área específica do cérebro. Podem ser focais conscientes (o paciente mantém a consciência, mas pode apresentar movimentos involuntários, sensações estranhas ou alucinações) ou focais com comprometimento da consciência (o paciente fica confuso, sem responder ao ambiente).
Crises generalizadas: envolvem ambos os hemisférios cerebrais desde o início. O tipo mais conhecido é a crise tônico-clônica (antigamente chamada de “grande mal”), com rigidez muscular, movimentos rítmicos dos membros e perda de consciência. Outros tipos incluem crises de ausência (breves “apagamentos” de consciência), crises mioclônicas (contrações musculares bruscas) e crises atônicas (perda súbita do tônus muscular, causando quedas).
Crises de início desconhecido: quando a origem não pode ser determinada com as informações disponíveis.
Como é Feito o Diagnóstico da Epilepsia?
O diagnóstico da epilepsia é fundamentalmente clínico, baseado na história detalhada das crises relatada pelo paciente e por testemunhas. O neurologista é o médico mais indicado para realizar essa avaliação. Os principais exames complementares incluem:
Eletroencefalograma (EEG): é o exame mais específico para epilepsia. Registra a atividade elétrica cerebral e pode detectar padrões anormais relacionados às crises, mesmo quando o paciente está em período interictal (fora das crises).
Ressonância magnética do crânio: essencial para identificar lesões estruturais que possam estar causando a epilepsia, como tumores, malformações corticais, cicatrizes de traumas ou esclerose hipocampal.
Exames laboratoriais: dosagem de glicemia, eletrólitos, função hepática e renal são importantes para descartar causas metabólicas de crises e monitorar o tratamento.
Quais São as Opções de Tratamento para Epilepsia?
O objetivo principal do tratamento da epilepsia é o controle completo das crises sem efeitos colaterais inaceitáveis. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 70% das pessoas com epilepsia podem ter suas crises controladas com medicamentos. As principais opções de tratamento incluem:
Medicamentos antiepilépticos (MAEs): são o tratamento de primeira linha para a epilepsia. Existem mais de 30 fármacos disponíveis, e a escolha depende do tipo de crise, da síndrome epiléptica, da idade, do sexo e de outras condições do paciente. Entre os mais utilizados estão valproato de sódio, carbamazepina, lamotrigina, levetiracetam, topiramato e lacosamida.
Cirurgia de epilepsia: indicada para casos de epilepsia focal resistente a medicamentos em que a zona epileptogênica é identificável e ressecável sem causar déficits neurológicos importantes. Pode levar à cura em até 70% dos casos selecionados adequadamente.
Estimulação do nervo vago (VNS) e dieta cetogênica: são alternativas para casos refratários, especialmente em crianças. A dieta cetogênica, rica em gorduras e pobre em carboidratos, pode reduzir significativamente a frequência das crises em alguns pacientes.
O que Fazer Durante uma Crise de Epilepsia?
Saber como agir durante uma crise epiléptica pode fazer toda a diferença. Durante uma crise tônico-clônica, o mais importante é manter a calma e garantir a segurança do paciente. Afaste objetos cortantes ou duros, coloque algo macio sob a cabeça, vire a pessoa de lado após a crise para facilitar a respiração e cronometre a duração. Nunca coloque nada na boca da pessoa durante a crise. Chame o SAMU (192) se a crise durar mais de 5 minutos.
Quando Procurar um Neurologista?
Se você ou alguém próximo teve uma crise epiléptica pela primeira vez, ou se as crises estão ocorrendo com mais frequência ou de forma diferente, procure um neurologista o quanto antes. O acompanhamento especializado é fundamental para definir o diagnóstico correto e o tratamento adequado para a epilepsia.
A Dra. Carolina Alvarez oferece atendimento neurológico especializado, incluindo avaliação e acompanhamento de pacientes com epilepsia. Veja também nosso artigo sobre os primeiros sinais de doenças neurológicas e quando buscar ajuda especializada. Agende sua consulta e cuide da sua saúde cerebral.